Menopausa e Climatério

Ganho de peso na perimenopausa: como agir com estratégia

5 de janeiro de 2026 4 min de leitura por Dra. Camila Souza Farias
Ganho de peso na perimenopausa

O ganho de peso na perimenopausa é uma queixa muito comum no consultório e costuma frustrar mulheres que mantêm hábitos parecidos com os de anos anteriores, só que passam a perceber aumento na balança e mudança no caimento das roupas.

Essa fase marca a transição para a menopausa e pode vir com ciclos irregulares, ondas de calor, piora do sono, oscilação de humor e queda de energia.

O ponto central é entender que a balança é só uma parte da história. Em muitas mulheres, o peso até muda pouco, só que há aumento de gordura abdominal e redução de massa magra.

O resultado é um metabolismo mais “lento”, com maior facilidade para acumular gordura quando alimentação, sono e atividade física não acompanham as novas necessidades do organismo.

O que é perimenopausa e por que ela impacta o peso

Perimenopausa é o período de transição em que a função ovariana começa a oscilar.

Os níveis hormonais variam bastante de um mês para outro, com tendência de queda progressiva do estrogênio e alterações também de progesterona. Essa instabilidade influencia:

A idade também entra na conta. A partir dos 30–40 anos, há uma perda gradual de massa magra quando não existe estímulo de força e ingestão adequada de proteína.

Menos músculo costuma significar menor gasto energético em repouso.

Por que a gordura “vai para a barriga”

A gordura abdominal tem relação com alterações hormonais e com o perfil metabólico. Quando o estrogênio cai, a tendência é a redistribuição do tecido adiposo para a região central.

Somam-se fatores bem comuns na perimenopausa: sono fragmentado, maior estresse, menos disposição para treino e mais “beliscos” ao longo do dia.

O conjunto favorece picos de fome, escolhas rápidas e menor controle de porções.

Outro detalhe: o treino pode continuar existindo, só que sem progressão.

Caminhadas são ótimas para saúde cardiovascular, só que muitas mulheres precisam incluir treino de força para preservar músculos, melhorar a sensibilidade à insulina e sustentar o gasto energético.

Sinais de que o metabolismo mudou

Alguns sinais aparecem juntos do ganho de gordura abdominal:

Quando esses sinais se acumulam, vale pensar em uma abordagem mais clínica, com avaliação de hábitos, exames e plano individualizado.

O que funciona na prática para controlar o ganho de peso na perimenopausa

1. Priorize preservação de massa magra

Massa magra é seu “motor” metabólico. O pilar aqui é treino de força 2 a 4 vezes por semana, com progressão orientada (carga, volume ou intensidade).

Exercícios multiarticulares (agachamentos, remadas, empurradas, levantamento terra adaptado) tendem a entregar mais resultado quando bem prescritos.

2. Proteína em todas as refeições principais

Distribuir proteínas ao longo do dia melhora a saciedade e ajuda a preservar os músculos.

Na rotina, isso envolve um bom aporte no café da manhã, almoço e jantar, ajustado ao peso, objetivo e nível de atividade.

3. Atenção ao sono

Sono ruim aumenta a grelina (fome) e reduz a leptina (saciedade), piorando o controle de impulso alimentar e reduzindo a energia para treinar.

Manter uma boa rotina de higiene do sono é essencial:

4. Carboidrato com estratégia, não com culpa

Carboidrato pode fazer parte, só que a escolha e o momento contam. Versões ricas em fibra (frutas, legumes, grãos integrais) ajudam no controle glicêmico e na saciedade.

Ajuste de porção é mais relevante do que “cortar grupos alimentares”.

5. Álcool e ultraprocessados: impacto desproporcional na cintura

O álcool atrapalha o sono, aumenta a ingestão calórica e reduz o controle alimentar. Já os ultraprocessados elevam densidade calórica e favorecem consumo automático.

Reduzir a frequência já muda o cenário em poucas semanas.

6. Avalie causas que imitam “metabolismo lento”

Hipotireoidismo, resistência à insulina, apneia do sono, anemia, deficiência de vitamina D e uso de alguns medicamentos podem influenciar no peso e disposição.

Nessa fase, faz sentido buscar médico endocrinologista especialista em saúde hormonal da mulher para uma avaliação completa, com plano de acompanhamento e metas realistas.

Exames e avaliação clínica: quando vale aprofundar

Considere uma avaliação mais detalhada quando há:

  1. Ganho rápido de peso.
  2. Fadiga marcante.
  3. Ronco e sonolência diurna.
  4. Ciclos muito desregulados.
  5. Queda intensa de cabelo.
  6. Constipação importante.
  7. Histórico familiar de diabetes e doença cardiovascular.

Em muitos casos, um painel básico com glicemia/HbA1c, perfil lipídico, função tireoidiana, ferritina e vitamina D já orienta condutas, sempre dentro do contexto clínico.

As recomendações citadas aqui acompanham o material de orientação da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia.

Conclusão

O ganho de peso nessa fase não é “falta de força de vontade”. A perimenopausa muda o sono, fome, composição corporal e resposta ao treino.

Com estratégia bem montada — força, proteína, sono e ajustes de rotina — é possível reduzir a gordura abdominal, recuperar a disposição e atravessar a transição com mais controle e previsibilidade.

Perguntas frequentes

Por que engordo na perimenopausa mesmo comendo igual?

Porque o gasto energético cai e a distribuição de gordura muda. A queda do estrogênio desloca o estoque dos quadris para o abdome, e a perda natural de massa muscular reduz o quanto o corpo queima em repouso. O peso na balança pode variar pouco enquanto a cintura aumenta.

Quantos quilos é normal ganhar na perimenopausa?

A média descrita na literatura fica entre 2 e 5 quilos ao longo da transição, mas o número importa menos que a composição corporal. Ganhar 3 quilos de gordura abdominal tem impacto metabólico maior do que ganhar 3 quilos com preservação de massa magra.

Exercício aeróbico ou musculação para a perimenopausa?

Os dois, com prioridade para o treino de força. A musculação preserva massa muscular, que é o que sustenta o gasto energético e a sensibilidade à insulina. O aeróbico entra como complemento para saúde cardiovascular e controle da glicemia.

Preciso de exame para investigar o ganho de peso?

Sim, vale afastar causas que imitam metabolismo lento. A avaliação costuma incluir função da tireoide, glicemia e hemoglobina glicada, perfil lipídico e, conforme o caso, insulina de jejum. Bioimpedância ajuda a separar ganho de gordura de retenção de líquido.

Precisa de uma avaliação individualizada?

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